Outubro 10, 2026
Estudo mostra que jornalistas precisam de (ser) cuidados
Três números que merecem atenção
📌 79,5% dos jornalistas já pensou em deixar a profissão.
📌 52,9% apresenta sinais de burnout.
📌 24,8% considera justo o salário que recebe.
São números que ajudam a perceber os desafios que o jornalismo enfrenta hoje em Portugal.
O mais recente estudo do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis – LABPATS, coordenado pela investigadora Tânia Gaspar, traça um retrato muito completo da profissão. E deixa uma ideia clara: os jornalistas continuam motivados e acreditam na importância do seu trabalho, mas estão cada vez mais pressionados por problemas que vão dos salários ao equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, passando pela saúde mental e pelas condições de trabalho.
Para a ProPress, estes resultados devem servir para alimentar uma reflexão que interessa a todo o setor. Valorizar os jornalistas, criar condições para atrair e reter talento e promover ambientes de trabalho mais saudáveis são desafios que dizem respeito ao futuro do jornalismo.
- Os jornalistas continuam a acreditar no que fazem
Apesar das dificuldades, a maioria dos profissionais continua a encontrar satisfação e sentido no exercício da profissão.
Este é um dos aspetos mais positivos do estudo: o problema não está na falta de vocação ou de compromisso. Os jornalistas continuam a acreditar na importância do seu trabalho e no papel que desempenham na sociedade.
- Muitos pensam em sair da profissão
O dado é impressionante: quase oito em cada dez jornalistas admite já ter pensado em abandonar a carreira.
As razões são várias, mas repetem-se ao longo do estudo: salários baixos, falta de perspetivas de progressão, desgaste acumulado e dificuldade em conciliar trabalho e vida pessoal.
É um sinal de alerta para todo o setor.
- O reconhecimento continua a ser uma questão por resolver
Quando se fala em valorização profissional, o salário continua a ser um dos principais pontos de insatisfação.
A maioria dos jornalistas não considera que a remuneração reflita a responsabilidade e a exigência da profissão, algo que contribui para o desânimo e para a vontade de procurar outros caminhos profissionais.
- O desgaste é uma realidade
O estudo mostra níveis elevados de cansaço físico e emocional.
Mais de metade dos participantes apresenta sinais associados ao burnout, uma realidade que confirma algo de que se fala cada vez mais nas redações: a saúde mental não pode continuar a ser vista como um assunto secundário.
- As chefias podem fazer a diferença
Outro dos aspetos que o estudo destaca é a importância da liderança.
Os jornalistas valorizam ambientes de trabalho onde existe comunicação, confiança, apoio e oportunidades de desenvolvimento. E os resultados mostram que equipas com lideranças mais fortes tendem a apresentar níveis superiores de satisfação e bem-estar.
- Não há jornalismo de qualidade sem boas condições de trabalho
O relatório mostra uma ligação clara entre a pressão do dia a dia, a carga de trabalho e a capacidade de produzir jornalismo com tempo, rigor e profundidade.
Quando faltam recursos ou tempo para apurar, toda a cadeia é afetada. Por isso, discutir condições de trabalho é também discutir qualidade jornalística.
- A flexibilidade ajuda
Entre os aspetos mais valorizados pelos inquiridos surge a flexibilidade na organização do trabalho.
O teletrabalho e a possibilidade de gerir melhor os horários aparecem associados a maiores níveis de satisfação e a um melhor equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.
Um desafio que é de todos
O estudo deixa uma mensagem simples: os jornalistas continuam a gostar do que fazem, mas precisam de mais apoio, reconhecimento e condições para continuar a fazê-lo.
Para a ProPress, esta é uma discussão que não deve ficar apenas nos números. Porque cuidar de quem faz jornalismo é também cuidar da qualidade da informação e do futuro dos media.
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